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Redação: Ensino, Pesquisa e Inovação
15/07/2026
2 min de leitura
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Mortalidade por câncer de cabeça e pescoço no Brasil: estudo revela mudanças no perfil epidemiológico da doença

Mortalidade por câncer de cabeça e pescoço no Brasil: estudo revela mudanças no perfil epidemiológico da doença

Compreender como o câncer se distribui na população é um passo fundamental para desenvolver políticas públicas mais eficientes e ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento. Nesse contexto, a epidemiologia exerce um papel essencial ao identificar tendências, fatores de risco e desigualdades que impactam diretamente a saúde da população.


Um estudo publicado no The Lancet Regional Health - Americas, conduzido por pesquisadores do A.C.Camargo Cancer Center, analisou a mortalidade por câncer de cabeça e pescoço no Brasil ao longo de 44 anos. A pesquisa identificou importantes mudanças no perfil epidemiológico da doença e evidenciou diferenças relacionadas ao sexo, à etnia e à região de residência dos pacientes.



Qual a importância da epidemiologia na pesquisa em oncologia?


A epidemiologia permite compreender como o câncer afeta diferentes grupos populacionais, auxiliando na identificação de fatores de risco, na avaliação do impacto de políticas públicas e no planejamento de estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento.


Ao analisar grandes bases de dados ao longo do tempo, pesquisadores conseguem identificar mudanças no comportamento das doenças e antecipar desafios que exigem respostas do sistema de saúde.


Foi justamente essa abordagem que permitiu aos pesquisadores investigar como a mortalidade por câncer de cabeça e pescoço evoluiu no Brasil nas últimas décadas.



O que é o câncer de cabeça e pescoço?


O termo câncer de cabeça e pescoço reúne diferentes tumores que acometem estruturas como cavidade oral, orofaringe, laringe, faringe, cavidade nasal, seios paranasais e glândulas salivares.


Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo e o consumo de álcool. Entretanto, nas últimas décadas, outros fatores passaram a ganhar relevância, como a infecção pelo papilomavírus humano (HPV), especialmente nos casos de câncer de orofaringe.


Essas mudanças reforçam a importância de monitorar continuamente o comportamento da doença na população.



O que o estudo identificou sobre a mortalidade no Brasil?


A pesquisa analisou 303.882 óbitos por câncer de cabeça e pescoço registrados entre 1980 e 2023 em brasileiros com 40 anos ou mais.


Segundo o Dr. Matheus de Abreu, cirurgião de cabeça e pescoço do A.C.Camargo Cancer Center e um dos autores do estudo, a análise revelou mudanças significativas: "Com mais de 300 mil óbitos registrados pela doença nesse período, nossa análise permitiu identificar mudanças importantes no perfil epidemiológico ao longo das últimas décadas, evidenciando como fatores sociais têm influenciado os padrões de mortalidade no país".


Entre os principais resultados, os pesquisadores observaram que o câncer de orofaringe apresentou aumento expressivo da mortalidade em todo o Brasil, independentemente da região, faixa etária, sexo ou etnia. Além disso, os cânceres de cavidade oral e laringe apresentaram redução da mortalidade nas regiões Sul e Sudeste, especialmente entre homens brancos.


Já as regiões Norte e Nordeste registraram crescimento da mortalidade em praticamente todos os tipos de câncer de cabeça e pescoço avaliados, e mulheres e pessoas pardas também passaram a apresentar aumento importante das taxas de mortalidade.


Para o Dr. Matheus, esses achados mostram que o perfil da doença vem mudando: "O que antes era uma doença fortemente associada a homens e ao tabagismo, agora exige atenção e políticas públicas voltadas também a outros grupos populacionais, como mulheres, pessoas pardas e residentes de regiões menos desenvolvidas do país, além de outros fatores de risco, como o HPV e o consumo de álcool".



Qual é a importância desse estudo para a oncologia brasileira?


Estudos epidemiológicos como esse oferecem informações fundamentais para orientar políticas públicas, direcionar campanhas de prevenção e apoiar o planejamento dos serviços de saúde.


Ao identificar grupos populacionais mais vulneráveis e acompanhar a evolução da mortalidade ao longo do tempo, pesquisadores e gestores conseguem desenvolver estratégias mais eficazes para reduzir desigualdades e melhorar os desfechos dos pacientes.


Além disso, os resultados chamam atenção para a necessidade de ampliar a discussão sobre novos fatores de risco, como a infecção pelo HPV, sem excluir a importância das políticas de controle do tabaco e da redução do consumo de álcool.


A produção científica desenvolvida no A.C.Camargo Cancer Center reforça o compromisso da instituição com a geração de conhecimento capaz de transformar a prática clínica e contribuir para o avanço da oncologia no Brasil.


Para conhecer todos os detalhes da pesquisa, acesse o artigo publicado no The Lancet Regional Health - Americas.


Você também pode assistir ao vídeo do Dr. Matheus de Abreu, no qual ele apresenta os principais resultados do estudo e explica como esses achados podem contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas mais efetivas e equitativas para o controle do câncer de cabeça e pescoço no país.

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