O Dr. Vinicius Cardona Felipe, médico radiologista do A.C.Camargo Cancer Center, participou de um estudo publicado recentemente na Radiology, que investigou o potencial da tomografia computadorizada contrastada, em posição prona e com protocolo dedicado para mamas, no estadiamento locorregional do câncer de mama.
A ressonância magnética é considerada o exame de escolha para a avaliação locorregional em pacientes com diagnóstico inicial de câncer de mama. No entanto, seu acesso ainda é limitado em muitas instituições de saúde.
A tomografia computadorizada multidetectores (MDCT), por outro lado, já faz parte da rotina para avaliação de metástases à distância. A possibilidade de utilizar o mesmo exame para obter informações locorregionais poderia otimizar recursos e ampliar o acesso a diagnósticos de qualidade.
“A paciente fica de barriga para baixo, semelhante à ressonância magnética. Nós comparamos os achados com a RM das mamas e com a patologia, analisando o tumor primário, focos adicionais de tumores, além de linfonodos axilares suspeitos”, comentou o radiologista.
O que o estudo apresentou de novo para o câncer de mama?
O estudo prospectivo incluiu 111 mulheres atendidas no Cancer Center entre setembro de 2019 e setembro de 2021.
A tomografia computadorizada contrastada dedicada demonstrou desempenho expressivo no diagnóstico por imagem em oncologia, detectando quase todos os tumores primários e apresentando alta concordância com a ressonância magnética (ICC 0,91 para o tamanho tumoral).
O Dr. Vinicius pontuou que “o exame teve um maior valor preditivo positivo para lesões adicionais e mais confiável que a ressonância para avaliar o número de linfonodos metastáticos”.
No comparativo com a patologia cirúrgica, a RM foi mais confiável na mensuração do tumor principal, enquanto a TC se destacou na detecção e quantificação de linfonodos metastáticos. Importante destacar que esse protocolo inovador não exigiu dose extra de contraste ou radiação, mostrando-se uma alternativa custo-efetiva e segura dentro da radiologia oncológica.
Segundo o radiologista, este protocolo representa “um passo importante para tornar o estadiamento locorregional mais acessível, especialmente em instituições com acesso limitado à ressonância magnética”.
Para ler o estudo, acesse o site da Radiology.
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