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Redação: Ensino, Pesquisa e Inovação
27/03/2026
2 min de leitura
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A.C.Camargo contribui para pesquisa que avalia menor toxicidade do everolimo sem perda de eficácia

A.C.Camargo contribui para pesquisa que avalia menor toxicidade do everolimo sem perda de eficácia

O avanço da oncologia depende de pesquisas que aprimorem a eficácia dos tratamentos enquanto reduzem a toxicidade e ampliam a qualidade de vida dos pacientes. Um estudo recente com participação do A.C.Camargo Cancer Center, publicado na Revista Cancers, investigou justamente esse equilíbrio ao avaliar a eficácia de doses menores de everolimo em pacientes com tumores neuroendócrinos avançados.


O medicamento, amplamente utilizado como terapia-alvo, já demonstrou atividade importante contra esses tumores. No entanto, a dose padrão de 10 mg por dia pode estar associada a efeitos adversos relevantes, com cerca de um quarto dos pacientes apresentando eventos de maior gravidade. Diante desse cenário, pesquisadores analisaram se doses menores poderiam manter a eficácia clínica, com potencial redução de toxicidade e custos.



O que o estudo sobre everolimo em tumores neuroendócrinos avançados analisou?


O estudo comparou o tempo até falha do tratamento em pacientes com tumores neuroendócrinos avançados que receberam doses médias mais altas de everolimo (entre 7 e 10 mg por dia) e aqueles tratados com doses menores (até 6 mg diários). Ao todo, foram analisados dados de 92 pacientes acompanhados por uma mediana de 4,2 anos.


Os resultados mostraram que não houve diferença significativa entre os grupos em relação ao tempo de controle da doença. A mediana de tempo até falha terapêutica foi de 9,2 meses no grupo de dose mais alta e 7,2 meses no grupo de dose menor, sem impacto estatístico relevante mesmo após ajustes clínicos.


O oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center, Dr. Rodrigo Taboada, que participou do estudo, destacou a relevância do trabalho: “Avaliamos duas questões importantes e atuais na oncologia: a possibilidade de reduzir custos e toxicidades sem alterar a eficácia do tratamento. Observamos que a redução da dose do everolimo aparentemente não interferiu nos resultados terapêuticos. Estudos como esse são cada vez mais relevantes para beneficiar ainda mais nossos pacientes”.


Segundo o especialista, o estudo também impulsionou o desenvolvimento de novas pesquisas prospectivas em andamento, que vão comparar diretamente diferentes doses do medicamento para oferecer respostas clínicas mais definitivas.



Como o everolimo se encaixa no tratamento dos tumores neuroendócrinos hoje?


Os tumores neuroendócrinos representam um grupo heterogêneo de neoplasias que podem surgir em diferentes órgãos e apresentar evolução clínica variável. Nos casos avançados, o tratamento busca controlar a progressão da doença, preservar a qualidade de vida e reduzir sintomas relacionados ao tumor.


O everolimo é uma terapia-alvo oral que atua em vias de sinalização celular importantes para o crescimento tumoral, sendo uma opção consolidada em tumores neuroendócrinos de baixo e intermediário grau. Apesar da eficácia reconhecida, a ocorrência de efeitos adversos relevantes pode limitar a continuidade do tratamento e impactar a experiência do paciente.


Nesse contexto, pesquisas como a publicada na Revista Cancers contribuem para uma discussão mais ampla sobre estratégias terapêuticas personalizadas. “O resultado encontrado a partir da redução da dose sem interferência na eficácia do tratamento foi apresentado no Congresso Europeu ESMO 2024 e já está publicado. E embasou a realização de um estudo prospectivo, que está aberto no A.C.Camargo”, pontuou o oncologista.


Além de contribuir para o avanço científico internacional, a participação do A.C.Camargo Cancer Center reforça o papel da instituição como referência em oncologia, ensino e pesquisa clínica. Estudos que trazem novas perspectivas de tratamentos já existentes têm impacto direto na prática assistencial e na melhoria contínua do cuidado ao paciente oncológico.


Leia o estudo na íntegra e confira mais informações com o Dr. Rodrigo Taboada.

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